MINHA HISTÓRIA

Locutora, apresentadora, atriz e modelo.

Nasci em 26 de Agosto de 1941, na cidade do Rio de Janeiro, no bairro do Flamengo. Signo - Virgem.

Filha única de um ex-locutor da antiga Rádio Cruzeiro do Sul e de uma professora de piano, teoria, harmonia, canto e dicção.

Embora pertencente a uma geração onde a mulher era preparada tão somente para o casamento e a maternidade, confesso ter tido melhor sorte. Desde a mais tenra idade, ouvia de meu pai: casamento não é profissão/ somente com independência financeira podemos ser livres /quem paga, manda/a maior malandragem do mundo é ser honesto.

Estas frases me marcaram por toda a vida.

Meu sonho de pequena, diferente das outras meninas, era formar-me em medicina e ser uma grande cirurgiã.

Por parte de minha mãe, fui educada ouvindo música clássica, apreciando a boa leitura e ouvindo também uma outra frase que muito me marcou - "filha, tudo o que você fizer, até o errado, faça com classe."

Embora não tenha sofrido nenhuma influência religiosa ou mística de meus pais e tendo como único mandamento - não fazer aos outros o que não gostaria que me fizessem - hoje, através da vivência e da maturidade, começo a crer que realmente o destino existe.

Senão vejamos: por uma questão de pura vaidade, pois no meu tempo de escola usava-se a leitura em voz alta nas salas de aula, resolvi estudar dicção e impostação com minha mãe e ai tudo começou.

Um dia, aos dezesseis anos de idade, época em que já trabalhava como recepcionista e estudava a noite, acompanhei minha mãe até a Rádio Ministério da Educação e Cultura, onde ela participaria como pianista de um concerto sinfônico.

Muito jovem e curiosa, ao ver um gravador pedi para gravar minha voz. Ao ouví-la gravada pela primeira vez, portei-me como uma menina, achando tudo muito divertido.

Qual não foi a minha surpresa ao receber, dias depois, um telefonema convidando-me a participar como locutora de um programa que seria lançado em breve na Rádio Metropolitana.

Após a permissão dos meus pais, resolvi aceitar o desafio.

Seis meses depois, meus colegas me incentivaram a ingressar na TV Continental, que iria ser inaugurada brevemente.

Não gostei muito da idéia: afinal, era uma adolescente extremamente magra para os padrões de beleza da época e ainda por cima muito míope, o que me obrigava a usar permanentemente óculos de lentes muito espessas. Quem haveria de querer ver uma menina magricela e ainda de óculos? Porém como sempre gostei de desafios, acabei fazendo o teste.

Semanas depois, através de um telegrama, soube que entre tantas candidatas eu tinha sido uma das escolhidas. Só então fiquei sabendo que a televisão engordava em media cinco quilos e que eu era fotogênica.
Assinei meu primeiro contrato com o veículo televisão em Junho de 1959. Seis meses depois, ganhei meu primeiro troféu como melhor Garota-Propaganda.

Porém, essa coisa de todos os dias abrir sofás, geladeiras, empurrar nas pessoas cremes milagrosos, pastas dentais, perfumes, etc, não me agradava muito. Achava tudo muito tolo, repetitivo, não criativo, pois na época a publicidade, como eu, dava seus primeiros passos na TV e tudo era ao vivo.

Resolvi então pedir uma oportunidade como atriz; fiz o teste, fui aprovada. atuando então em várias peças de tele-teatro e chegando a desempenhar papéis principais.

Porém, tudo que fazia tinha como motivações a eterna paixão pelo desafio e a busca da independência financeira.

Meu verdadeiro sonho não tinha sido abandonado; continuava os estudos tendo sempre como meta a medicina.

Só com uma coisa não podia contar: não fazia parte de meus planos essa coisa chamada amor. Aos 18 anos apaixonei-me por um engenheiro eletrônico, diretor técnico da televisão. Abandonei os estudos, casei-me, porém não parei de trabalhar.

Ao casar-me, fui morar em outra cidade, Porto Alegre, pois meu marido tinha sido convidado para ser o engenheiro responsável pela montagem técnica da TV Gaúcha.

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Como não sei ficar parada, trabalhei como locutora na rádio Gaúcha até a inauguração da TV, enveredando então pelo caminho de apresentadora-entrevistadora.

Após dois anos, o casamento fracassou. Um caso raríssimo de troca do novo pelo usado. Meu marido, 15 anos mais velho, culto, educado, realizado profissionalmente e financeiramente, trocou-me, então com 21 anos, por outra de 35, desquitada e com três filhos.

Depois do choque inicial, resolvi contra vontade de meu marido, separar-me judicialmente abrindo mão de toda e qualquer pensão ou partilha de bens, exigindo apenas meu nome de solteira novamente.

Fiz as malas e retornei à minha cidade, o Rio de Janeiro.

Como voltei munida apenas de coragem, era necessário mais do que nunca voltar ao trabalho. Foi quando percebi, que o único caminho aberto que me restava era o de profissional da locução.

Ano de 1963. Num encontro casual com um dos diretores da TV Excelsior, sou convidada a assinar contrato como locutora comercial e apresentadora.

Aceitei prontamente o convite e comecei a trabalhar. Fui vista então pelo diretor de Jornalismo, Fernando Barbosa Lima, e convidada a ser a primeira locutora de tele-jornal do país.

Percebendo a excelente oportunidade, e o grande desafio pioneiro que me era oferecido, não tive a menor dúvida de que este seria o meu caminho definitivo.

Tive então a oportunidade de trabalhar ao lado de dois monstros sagrados do jornalismo, Luiz Jatobá e Sergio Porto.

Ano de 1964. Meu trabalho é notado por outra emissora - TV Rio. Nela, passo a apresentar um jornal retrospectivo aos sábados e também a participar como comentarista, numa experiência inédita em minha carreira, em um programa de esportes, ao lado de profissionais como: Oduvaldo Cozzi, Luis Mendes, Nelson Rodrigues e João Saldanha.

Paralelamente, fui convidada para ser manequim de passarela em desfiles de alta costura. Viciada em desafios, é claro, aceitei.

 

Nessa mesma ocasião, fui convidada também, para participar como atriz em um show de Bossa Nova, no então Beco das Garrafas, berço de todo o movimento ligado a este estilo de música popular brasileira que tanto sucesso alcançou e ainda alcança no exterior. Nesse show, atuei ao lado de Dom Um (baterista brasileiro, radicado nos Estados Unidos), Dom Salvador (pianista brasileiro, também radicado nos Estados Unidos), Gusmão (baixista) e da cantora Elis Regina.

Ano de 1965. Sou convidada a inaugurar a TV Globo, como locutora de tele-jornal ao lado de Hilton Gomes.

Ano de 1966. Sou chamada a integrar o "cast" de locutores noticiaristas da TV Tupi, na época, a maior rede de televisão do país. Nessa emissora fico por onze anos, atingindo com o avanço da tecnologia (transmissão Via Satélite), projeção nacional.

Com o advento da transmissão Via Satélite, minha imagem chega a todos os recantos do Brasil, dando inicio a uma série de viagens por todo o país apresentando os mais variados eventos, tais como: Palestras, festas inaugurais, desfiles de moda, festivais de música, concertos sinfônicos, convenções, etc.

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Nesse período, minha vida se torna uma verdadeira roda viva, não há tempo para nada. De segunda a sexta, apresento um jornal (Jornal Perspectiva) às 23 horas; à tarde, gravo publicidade para as maiores agências e produtoras do país, aos sábados, embarco num avião para os mais variados lugares do Brasil para apresentação de eventos; aos domingos, retorno ao Rio para participar ás 20 horas de um programa popular (Programa Flavio Cavalcanti), líder de audiência no país. Ao meu lado neste programa, profissionais como: Jornalistas, Danusa Leão e Sergio Bittencourt; Atrizes, Vera Fisher, Márcia de Windsor e Leila Diniz; Maestro Erlon Chaves, entre outros.

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Às vezes, sou escalada para reportagens externas e, numa delas, recebo um convite que hoje me arrependo de não ter aceito: num encontro casual com o estilista Pierre Cardin, sou convidada por ele, para ser sua manequim em Paris.

Durante todos esses anos passados na TV Tupi, fui eleita, pela crítica especializada, por anos consecutivos, melhor locutora de telejornais.

Ano de 1977. Preocupada com a minha vida particular (já com três casamentos fracassados), a falta de privacidade em minha vida, a falta de tempo para o lazer, minha casa, meus livros, meus discos e o contato com a natureza, resolvi tomar uma decisão inesperada para muitos: peço demissão da televisão, em caráter irrevogável.

Afinal, aquele caminho não tinha sido escolhido, tinha sido acidental. Cheguei à conclusão que amava a locução e não gostava de televisão: ela era a grande culpada pela falta de privacidade em minha vida.

Como não era cantora ou atriz, que precisam diretamente do prestígio junto ao público, só precisava de uma vitrine para a minha voz e essa já havia surgido. Em dezembro de 1976, fui convidada pela Infraero, então ARSA, para ser a voz oficial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro

Ali estava a minha vitrine ideal, pois como o forte de meu faturamento era a publicidade, o público que me interessava atingir era exatamente o maior usuário de avião, o publicitário e o empresário.

Agarrei-me aquela oportunidade, e prometi que faria o mais belo trabalho de locução de minha vida. Comuniquei a praça que estava "Free" e fui à luta.

Ano de 1982. Fui como "Free" apresentar um evento (Prêmio Tendência) no teatro Adolpho Bloch. Recebi então um convite público feito ao microfone pelo mesmo para que me tornasse a locutora oficial do telejornal da TV Manchete, que iria ser inaugurada em breve.

No dia seguinte, recebi um mensageiro em minha casa, em nome do Sr. Adolpho Bloch, convidando-me para um almoço. Nesse almoço o convite foi ratificado. Coloquei obstáculos e exigências, pois não pretendia voltar à televisão. Tudo em vão, aí estava eu de volta ao telejornal.

 

Durante esse período, fui convidada por uma das maiores agencias de publicidade do país (Ag. Almap), a fazer um comercial inédito, pois era dividido em capítulos, e induzia o telespectador a pensar que eu iria terminar nua. Tendo na época 42 anos (o que no meu país é motivo de preconceito) e como o trabalho exigia interpretação de atriz e não de locutora é claro que aceitei mais esse desafio.

O comercial foi o mais absoluto sucesso, sendo alvo de reportagens em vários órgãos da imprensa internacional inclusive na revista alemã Der Spiegel.

O assédio do público voltou, a falta de privacidade também. Tive uma recaída e pedi demissão novamente. Isso em 1987, permanecendo fora da TV até os dias de hoje.

Um fato curioso: No ano de 1992 tenho minha voz colocada em disco, no lançamento mundial do CD Angel Dust do conjunto Faith No More, na faixa Crack Hitller

 

Em 2012 sou convidada a pedido do Prefeito Eduardo Paes, para ser a voz de um novo veículo de transporte rápido, eficiente, e que proporcionaria mais conforto e agilidade aos seus usuários, o BRT.

Um ano depois da assinatura do contrato com a BRT e após 37 anos como a voz de vários aeroportos,tais como:Foz de Iguaçu (Paraná), Guarulhos e Congonhas (São Paulo), Eduardo Gomes (Manaus),Antonio Carlos Jobim/Galeão e Santos Dumont (Rio de Janeiro), em Dezembro de 2013 meu contrato com a Infraero é rescindido.Fato que não me surpreendeu, haja vista a privatização já esperada e anunciada.

Porém o destino sempre me reserva excelentes surpresas, a minha saída foi amplamente divulgada pela imprensa chegando ao conhecimento do Prefeito, ele então diz, que minha voz era uma marca da cidade do Rio de Janeiro e que merecia inclusive ser tombada como patrimônio imaterial. Portanto fazia questão da continuidade do meu trabalho junto aos novos administradores do Aeroporto Tom Jobim.

Assim sendo, no dia 1º de Setembro de 2014, aos 73 anos, assino contrato com a Odebrechet .Sou ou não sou uma mulher de sorte?

Ano de 1995 - Recebo da própria Infraero o título de Personalidade Aeroportuária.

Da Abrajet-Rio o Selo de Qualidade do Conselho de Turismo.

Ano de 1996 - Sou agraciada pela Câmara dos Vereadores com a medalha Pedro Ernesto por indicação do Vereador Henrique Pinto, a mais importante comenda ofertada pela cidade do Rio de Janeiro.

Algumas Entrevistas Nacionais:

Entrevista Márcia Peltier (TV Manchete)
Entrevista Jornal Rede Brasil (TVE)
Programa Encontro Marcado (TV Educativa)
Programa Flash (TV Bandeirantes)
Programa Front Page (TVE)
Programa Globo Repórter (TV Globo)
Programa Gente Famosa (TVE)
Programa Vitrine (TV Cultura - São Paulo)
Programa Vídeo Show (TV Globo)
Programa Primeiro Time (TVE)
Programa Ana Maria Braga (TV Globo)
Programa Super Bonita (GNT- Net)
Programa Jô Soares (TV Globo)
Revista Isto é Gente
Revista Época (2003)
JB Domingo (14/03/04)
VEJA São Paulo (31/03/04)
Jornal Nacional - TV Globo (16/04/04)
Revista Carta Capital (12/05/04)
Jornal O Globo - Coluna Gente Boa ( 15/05/04 )

Entrevistas Internacionais:

Jornal Chicago Tribune (U.S.A.)
Revista Time (U.S.A.)
Jornal El Mercúrio (Chile)
Rede de TV CNN (U.S.A.)
Univision News (Miami)
National Public Radío (U.S.A.)
The Globe and Mail (Canadá)
Magasiner Rejser (Copenhague)
Vídeo News lnternational (U.S.A.)
Rádio BBC (Londres)
Jornal Sonntags Zeitung (Suíça)

Áreas de Atuação:

TV (OFF) – Locução paraTV sem o uso da minha imagem, apenas voz.
Spots – Locução para rádio.
Narração de documentários.
Áudio Visual para empresas.
Automação e espera telefônica para empresas.
Apresentação de eventos com textos gravados em CD, MD, etc.

Principais Clientes:

Infraero
American Express
Petrobrás
Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro
Sony
Wella
Unimed
PL–Partido Liberal
Carrefour
Aliança Francesa
Billiton Metais
Philips Morris
Varig
Banerj
British Airways
Embratel
Ibeu
Lufthansa
Bradesco/Visa
Banco do Brasil
Laboratório Ache
Panrotas Editora
Tdec
Sevan Marine
Analytical Solutions
Filme “Deus é Brasileiro”de Cacá Diegues
Chamada da Novela Kubanacan (TV Globo)
Aeroporto Santos Dumont (RJ), etc...

Comerciais gravados com a classe e a categoria de Iris Lettieri transmitem qualidade e credibilidade ao seu produto.

Você não precisa ir ao aeroporto, basta enviar através deste site seu texto com registro dos detalhes como: tempo, fundo musical ou efeitos sonoros

Enviaremos sua gravação na opção que você desejar.